quarta-feira, 14 de julho de 2010

Overdose de redes sociais



Com certeza as pessoas mais conectadas recebem semanalmente convites para novas redes sociais. Depois do estrondoso sucesso do Orkut no Brasil e da compra do MySpace nos Estados Unidos as redes socais despertam a curiosidade e o interesse de agências e investidores.

No Brasil por exemplo temos a Via6, focada em organização de conteúdo visando contatos profissionais, ocupando o terceiro lugar, que recebeu aporte de capital de risco no começo do ano. Recentemente conheci o Ikwa, voltado para pessoas em busca da realização profissional, que recebeu o primeiro aporte em novembro de 2006. Outro exemplo nacional é o descolando!, voltado para alunos universitários que querem descobrir como é cada professor, o que ajuda muito ao montar a grade de horários do semestre.

Há espaço para diversas redes? Sim, desde que essa rede deixe claro qual o ganho do usuário, pois ele investirá seu tempo na confecção de um perfil, procurando pessoas e convidando amigos, mas somente se perceber que receberá algo em troca, algo maior que o tempo investido. Por exemplo, essas 3 redes são voltadas para o desenvolvimento profissional mas em momentos diferentes da vida do usuário, um o ajuda a decidir a carreira a seguir (ikwa), outro ajuda-o enquanto se gradua para essa carreira (descolando) e o terceiro a montar seu portfolio e estabelecer um networking (via6). Para quem precisa se relacionar com contatos internacionais recomendo também o linkedin.

Existem também redes muito interessantes voltadas para o entretenimento, como o last.fm para música por exemplo: você pode ver o que seus amigos estão ouvindo e descobrir que artistas são ouvidos por pessoas que ouvem um determinado músico. Seguindo essa lógica, redes para filmes, livros e outros produtos culturais tem um potencial grande para o sucesso, o problema é que diferente da música onde o last.fm intercepta diretamente no seu micro o que você ouviu, redes baseadas em outros itens dependeriam exclusivamente da entrada de dados dos participantes, o que reduz significativamente o apelo de adesão de uma rede dessas.

Mas se você tem uma idéia mirabolante para criar uma nova rede social não precisa investir milhões em desenvolvimento, basta você criar sua própria rede social na plataforma Ning, lá por exemplo foi criada a rede para o StartupCampBrazil, onde os participantes se inscreveram para conhecer melhor uns aos outros antes do encontro físico, e os organizadores puderam acompanhar o interesse dos usuários antes, durante e depois do evento.

Outra forma é se aproveitar de uma rede já existente criando uma aplicação no Facebook, quando o usuário instala a aplicação ela acessa os seus dados e a sua lista de amigos. Aplicações para comparar gostos cinematográficos e literários estão entre as mais utilizadas, e aplicações onde existe uma disputa entre exércitos de ninjas, piratas, vampiros e zumbis seguem arrebanhando seguidores e colecionando dados que provavalmente vão servir de base para muitas campanhas publicitárias em breve. Mas nem tudo é marketing terrorista no Facebook, colocar todos os meus perfis num único lugar é um sonho quase realizado, faltam os sites brasileiros lançarem suas aplicações lá.

Mas antes de desenvolver uma aplicação ou uma rede social pergunte-se: Qual a cola que irá unir esses usuários? É fácil reunir a garotada (e alguns marmanjos) para trocar figurinhas, ou admirar as fotos dos amigos (como ocorre no flickr). Em breve o Orkut possuirá aplicações também, serão milhares de widgets disputando o usuário e só as melhores idéias ganharão algum destaque.
Por Mariceli Porto

Ciberespaço, a ambiguidade do concreto e do abstrato

Marcelo Solé Wanderley

Estudar e conhecer as origens do ciberespaço e as consequências de sua existência é importante para compreendermos como espaço e sociedade estão organizados atualmente.

O meio técnico-científico informacional é o requisito para a criação das redes técnicas de computadores (concreto), as quais, por meio de seus fluxos, geram o ciberespaço (abstrato). Essa distinção entre concreto e abstrato é apenas um recurso inicial para distinguir fixos de fluxos, pois o ciberespaço é composto, simultaneamente, de elementos concretos e abstratos.

Entendemos o meio técnico-científico informacional como o período em que o homem não utiliza apenas o que a natureza disponibiliza, como no meio natural. Também não é apenas uma mecanização do território, como no meio técnico. Entendemos que as mudanças inferidas no território não são atribuídas apenas a máquinas, por mais modernas que elas sejam. O meio técnico-científico informacional vai além. Assim observou Milton Santos: "Neste período, os objetos técnicos tendem a ser ao mesmo tempo técnicos e informacionais, já que, graças à extrema intencionalidade de sua produção e de sua localização, eles já surgem como informação; e, na verdade, a energia principal de seu funcionamento é também a informação".

Neste contexto, temos a formação das redes, que normalmente têm as suas definições divididas em duas matrizes: "a que apenas considera o seu aspecto, a sua realidade material, e uma outra, onde é também levado em conta o dado social".

Concordamos que devemos estudar as redes considerando tanto a realidade material da rede (concreto) como o dado social (abstrato). Só assim, conseguiremos refletir o real significado das redes, pois elas apresentam uma infraestrutura, que contém, entre outros equipamentos, cabos submarinos e satélites. Mas a rede também é "[...] social e política, pelas pessoas, mensagens, valores que a frequentam. Sem isso, e a despeito da materialidade com que se impõe aos nossos sentidos, a rede é, na verdade, uma mera abstração".

Com a criação e a utilização da infraestrutura (os fixos), surgem as trocas de informação (os fluxos). Da interação entre fixos e fluxos, cria-se o ciberespaço, que é entendido como "[...] uma dimensão da sociedade em rede, onde os fluxos definem novas formas de relações sociais [...]. As relações sociais no ciberespaço, apesar de virtuais, tendem a repercutir ou concretizar-se no mundo real. Marca, portanto, um novo tipo de sociedade".

O ciberespaço é muito mais do que computadores conectados. Ele necessita de que essa rede seja utilizada e gere fluxos. Sem isso, ele não existe. Ele traz em seu bojo muito mais do que a troca de informações por redes de computadores. Em virtude da velocidade com que essas trocas se efetuam, todo um paradigma e uma relação tempo/espaço são modificados. David Harvey, em 1993, já nos alertava sobre essa mudança, chamada por ele de compressão espaço-temporal. Como explica a professora Michéle Tancman:

a velocidade dos medias eletrônicos instaura uma nova forma de experienciar o tempo, substituindo a noção de tempo-duração por tempo-velocidade e a instantaneidade das relações sociais. O tempo permeado pelas novas tecnologias eletrônico-comunicacionais é marcado pela presentificação, ou seja, pela interatividade on-line, de fato constatado nas tecnologias de telepresença em tempo real que alteram nosso sentido cultural de tempo e espaço.

O progresso da técnica observado no meio técnico-científico informacional, em conjunto com a compressão espaço/tempo e com o uso das redes pelos agentes capitalistas, modificou a sociedade até um ponto que temos de concordar com Manuel Castells, que diz ser a sociedade atual uma sociedade informacional, na qual a informação não é apenas utilizada (todas as sociedades a utilizam), mas sim "[...] o processamento e a transmissão da informação tornam-se as fontes fundamentais de produtividade e poder devido às novas condições tecnológicas surgidas nesse período histórico".

O ciberespaço modifica a sociedade, o trabalho, o lazer e o relacionamento entre as pessoas. Uma reunião de trabalho não necessita de que os presentes estejam em uma mesma sala, pois agora existe a teleconferência. Adolescentes se reúnem para jogar War (jogo da Grow, empresa de brinquedos especializada em jogos de tabuleiro) pela Internet. Provavelmente, eles jogam com pessoas que nem conhecem. Mas como o espaço é afetado e como afeta a sociedade na passagem de uma sociedade industrial para uma sociedade informacional?

A transição, na década de 1970, do meio técnico para o meio técnico-científico informacional não pode ser vista apenas como desenvolvimento tecnológico. O entendimento das consequências dessa mudança é o que nos permite compreender as atuais relações do homem com o território e a ascensão da produção flexível em substituição ao modo fordista de produção. Essa transição modificou o território, que sofreu um processo de cientificização, tecnicização e informacionalização, conforme explica Milton Santos: "Os espaços assim requalificados atendem sobretudo aos interesses dos atores hegemônicos da economia, da cultura e da política e são incorporados plenamente às novas correntes mundiais. O meio técnico-científico informacional é a cara geográfica da globalização".

Neste momento, é interessante reforçarmos a noção de que as redes são a base física para o ciberespaço, e, em alguns trechos do nosso trabalho, rede e ciberespaço podem ser entendidos como sinônimos. Assim Milton Santos relaciona redes ou ciberespaço com espaço:

As redes são a condição da globalização e a quintessência do meio técnico-científico informacional. Sua qualidade e quantidade distinguem as regiões e lugares, assegurando aos mais bem dotados uma posição relevante e deixando aos demais uma condição subordinada. São os nós dessas redes que presidem e vigiam as atividades mais características deste nosso mundo globalizado.

Essa dinâmica cria distorções e diferenciações no espaço, tanto nos países centrais como nos países periféricos. Áreas mais ou menos desenvolvidas ou espaços luminosos e espaços opacos são identificados deste modo:

Chamaremos de espaços luminosos aqueles que mais acumulam densidades técnicas e informacionais, ficando assim mais aptos a atrair atividades com maior conteúdo em capital, tecnologia e organização. Por oposição, os subespaços onde tais características estão ausentes seriam os espaços opacos.

Além das distorções entre países centrais e países periféricos, existe a distorção dentro dos próprios países, conforme observa Castells:

Dentro dos países, há também grandes diferenças espaciais na difusão do uso da Internet. As áreas urbanas vêm em primeiro lugar, seja em países desenvolvidos ou em desenvolvimento, e as áreas rurais e as pequenas cidades ficam consideravelmente para trás em seu acesso ao novo meio [...]. O atraso na difusão da Internet em áreas rurais foi observado nos Estados Unidos, na Europa e, mais ainda, nos países em desenvolvimento.

O meio técnico-científico informacional, como vimos, modificou e continua modificando o espaço e a sociedade. As redes e, consequentemente, o ciberespaço são uns dos grandes expoentes do meio técnico atual. Por isso, não podem ser desprezados ou ignorados em estudos sobre espaço, trabalho ou lazer. Se, como alguns estudiosos acreditam, a Geografia não deve ou não tem recursos teóricos para estudar o ciberespaço - embora não concordemos com isso -, é interessante reler um dos mais importantes geógrafos brasileiros:

Cada vez que as condições gerais de realização da vida sobre a terra se modificam, ou a interpretação de fatos particulares concernentes à existência do homem e das coisas conhece evolução importante, todas as disciplinas científicas ficam obrigadas a realinhar-se para poder exprimir, em termos de presente e não mais de passado, aquela parcela de realidade total que lhes cabe explicar.

Por Mariceli Porto

domingo, 11 de julho de 2010

sábado, 10 de julho de 2010

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Ciberética

André Contreiro

O primeiro CIBERETICA realizado em 1998 ocorreu com intuito de reunir pessoas no âmbito internacional para discutir e debater temas referentes a informática e a ética no ciberespaço. Desse período para cá, muitos outros eventos aconteceram em esferas locais, regionais e internacionais, aprimorando as temáticas e conseqüentemente estendendo sua abrangência, decorrente do avanço científico e tecnológico, oriundo do uso intensificado das tecnologias de comunicação e informação nas dimensões sociais, econômicas, políticas e educacionais. As abordagens da pertinente e constante reflexão apontam a necessidade de ampliar os debates envolvendo os profissionais das áreas de direito, informática e direito, passando a agregar interlocutores de comunicação, ciência da informação, documentação e arquivística. As redes de relações humanas e de computadores estão em constante evolução e o fio condutor é a informação, disponibilizada, acessível e disseminada para viabilizar transições e transformações nos diversos segmentos da humanidade. As mudanças nas relações jurídicas, comerciais, educacionais alteram os processos nas relações por quais transmitam os constantes fluxos de informação entre pessoas e provocam alterações no uso e costume em amplas esferas sociais, políticas, econômicas e educacionais.O conhecer destas facetas propicia a condução de viabilidades técnicas e científicas para democratizar o acesso à informação e respectivo uso para tornar uma sociedade democrática e principalmente elevar a condição humana. O extraordinário desenvolvimento das tecnologias da informação e sua expansão requerem embasamento ético para favorecer segmentos tais como a privacidade, a segurança, o uso e o acesso à informação. Cada vez mais se nota a disponibilidade em governos, empresas, instituições educacionais em utilizarem as tecnologias informacionais para facilitar o uso, o acesso e a disseminação considerando aspectos econômicos e sociais.Cabe ampliar os debates com temáticas apresentadas por pessoas que representam a sociedade geral e fortalecem novas abordagens cruciais para minimizar as causas e conseqüências entre o contraste de info-ricos e info-pobres. A repercussão e o trabalho, a qualidade dos debates e a importância dos temas abordados durante o I CIBERÉTICA garantiram a recomendação da UNESCO para que Florianópolis torne-se sede da seção latino-americana do "Infoethics" - Seminário Internacional da organização das Nações Unidas, para discutir a ética da informação em ambientes eletrônicos. A indicação foi feita na ocasião pelo consultor da UNESCO Victor Montvodoff, um dos palestrantes do evento, que reuniu mais de 500 profissionais no Centro de Convenções, em Florianópolis.O Ciberética tem como objetivos difundir as formas de utilização dos recursos originários das denominações "novas tecnologias" para a produção, acesso, disseminação, preservação e uso leal das informações em ambiente eletrônico. Por meio de conferências, palestras, comunicações técnicas, workshop e debates será proporcionado aos participantes a troca de experiência, a ampliação de contatos, divulgação de novas tecnologias, e viabilidades técnicas e científicas para democratizar o acesso à informação e respectivo uso para tornar uma sociedade democrática e principalmente elevar a condição humana.

quinta-feira, 8 de julho de 2010